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Seguradoras creem que retomada virá em breve

19/4/2018 - Valor Econômico Por Guilherme Meirelles

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Os aportes em previdência começaram o ano em baixa, mas o setor acredita em retomada nos próximos meses. De acordo com dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), a receita bruta do primeiro bimestre (modalidades PGBL, VGBL e planos anteriores à lei) atingiu R$ 14,871 bilhões, queda de 17,65% em relação ao mesmo período de 2017, quando os aportes atingiram R$ 17,496 bilhões. O recuo foi mais expressivo (18,81%) entre os clientes de VGBL (modalidade majoritária, usada por quem é isento ou faz declaração simples do Imposto de Renda) e ficou em 0,02% no PGBL (indicado para quem faz declaração completa).

Para Edson Luis Franco, presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), os números do primeiro bimestre estão mais relacionados à base de referência e não à perda de confiança do investidor. "O setor vinha em ritmo de crescimento desde 2016 e atingiu o ápice no primeiro trimestre do ano passado. A partir do segundo trimestre, houve piora no clima político e continuidade na queda da taxa Selic, o que gerou menor rentabilidade na renda fixa e busca por opções mais atraentes em renda variável. Mas, previdência é investimento de longo prazo e a indústria tem oferecido fundos multimercado com rendimentos interessantes", afirma.

Franco apoia-se no crescimento da base de clientes, que hoje registra recorde histórico de 13,45 milhões de investidores. "Entre 2015 e 2018 ingressaram 1,39 milhão clientes e saíram seis mil pessoas, a maior parte associada a planos empresariais coletivos", diz.

Há ainda expectativa pela entrada em vigor das regras da Resolução 4.444, do Conselho Monetário Nacional (CMN), que deve ocorrer no segundo trimestre. A resolução flexibiliza as normas para os fundos de previdência, que poderão oferecer até 100% de seus ativos em renda variável (atualmente são 49%), aplicar até 10% no exterior (o que já é permitido nos fundos de pensão), buscar recursos em opções mais sofisticadas, como os Certificados de Operações Estruturadas (COE), e amplia para o setor a categoria do investidor qualificado (com recursos acima de R$ 1 milhão), o que deve atrair público de alta renda e gestores especializados, agentes até então pouco presentes em previdência.

Seguradoras independentes se preparam para o novo cenário. A Sul América deve lançar até junho novo fundo multimercado adaptado às novas normas. Segundo Marcelo Mello, VP da Sul América Investimentos, já se nota mudança de comportamento dos novos clientes. "No ano passado, as captações líquidas foram de R$ 45 bilhões, R$ 30 bilhões em fundos multimercado e R$ 15 bilhões em renda fixa".

Já a Icatu Seguros, que oferece 207 fundos (com gestão própria e 62 gestores externos) aposta na portabilidade para crescer. "O público ainda vincula previdência com o banco de varejo, mas quase 70% da nossa carteira veio em 2017 pela portabilidade", diz Paulo André Barqueiro, superintendente da seguradora. De acordo com dados internos, 37% dos fundos abertos e exclusivos da Icatu superaram o CDI nos últimos 36 meses.

Focada em fundos de planos de pensão, a Mongeral Aegon acredita que o crescimento virá por causa da reforma da previdência. "Os clientes já perceberam que a reforma é inevitável no próximo governo e sabem que os recursos do INSS são insuficientes para garantir aposentadoria", diz Luis Felipe Maciel, diretor regional da companhia. A seguradora espera fechar 2018 com 100 mil clientes em previdência aberta, ramo em que oferece cinco planos, com gestão própria. Segundo Maciel, o diferencial são baixas taxas de administração.

A Bradesco Seguros deve lançar este ano fundos exclusivos para o investidor qualificado. Hoje, tem 80 planos para todos os públicos, geridos pela asset " Vamos apostar, mas continuaremos balanceando os fundos", diz Vinicius Cruz, diretor de investimentos. Já a Brasilprev vai lançar um fundo multimercado para o público de alta renda que está na renda fixa por temer a volatilidade, diz o diretor financeiro Marcelo Wagner.